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ESCOLA SECUNDÁRIA DE SILVES

Domingo, Janeiro 31

Sugestão da Semana - Pataniscas de Polvo

Ingredientes:

  • 500g de polvo cozido laminado
  • 30g de cebola picada
  • ½ colher de sopa (rasa) de alho picado
  • 2 colheres de sopa de pimento vermelho picado
  • 5 ovos
  • 100g de coentros picados
  • 4 a 5 colheres de sopa de farinha
  • Sal e pimenta (q.b)

Procedimento:

Coloca-se o polvo numa tigela, junta-se a cebola, os pimentos, o alho, os coentros picados, 3 ovos inteiros e 2 gemas (reservam-se as claras à parte). Envolve-se com uma colher, juntando a farinha até ficar espesso. Em seguida junta-se o sal e a pimenta. Batem-se as claras em castelo (firme) e adiciona-se à mistura anterior. Fritam-se as pataniscas em óleo.

Casamento Homossexual

Portugal pode estar restes a tornar-se no oitavo país do Mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas a Igreja está longe de reconhecer esta lei que foi criada para combater a discriminação.


A proposta de lei do Governo que consagra o casamento entre pessoas do mesmo sexo já foi aprovada na generalidade pela Assembleia da República, mas ainda tem um longo caminho a percorrer até que possa entrar em vigor. Seguindo o exemplo de África do Sul, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Noruega e Suécia, países onde o casamento homossexual é legalizado, passará a ser possível a homossexuais e lésbicas unirem-se num casamento civil, obtendo assim os mesmos direitos que os casais heterossexuais, com excepção para a adopção e para a reprodução medicamente assistida. Porém, este avanço já foi considerado como um passo fundamental para a igualdade de direitos.

Sexta-feira, Janeiro 22

Sugestão da Semana - O Rapaz do Pijama ás Riscas

O Rapaz do Pijama ás Riscas
Um rapaz de oito anos, Bruno é o protegido filho de um agente nazi cuja promoção leva a família a sair da sua confortável casa em Berlim para uma despovoada região onde o solitário jovem não encontra nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Esmagado pelo aborrecimento e traído pela curiosidade, Bruno ignora os constantes avisos da mãe para não explorar o jardim, por detrás da casa, e dirige-se à quinta que viu ali perto. Nesse local, Bruno conhece Shmuel, um rapaz da sua idade que vive numa realidade paralela, do outro lado da vedação de arame farpado. O encontro de Bruno com este rapaz de pijama às riscas vai arrancá-lo da sua inocência e resultar no despontar da sua consciência sobre o mundo adulto que o rodeia. Os repetidos e secretos encontros com Shmuel desaguam numa amizade com consequências inesperadas e devastadoras.






Quarta-feira, Janeiro 20

Ioga para manter a concentração


Andas sempre de cabeça no ar?! E a tua falta de concentração que tanto os professores reclamam? Pode ser uma dificuldade de concentração, mas o ioga poderá ajudar-te a dedicares-te mais ás suas actividades diárias.
O ioga é desenvolvido com movimentos de técnica chinesa que desenvolvem a coordenação motora, postura, equilíbrio, força e alongamento que resulta no fortalecimento dos músculos, do sistema imunológico e melhoram as funções cerebrais.
Há sempre o receio que a hiperactividade aumente, e assim prejudique ainda mais, mas não, porque a aula pode realizada de forma lúdica, com histórias e brincadeiras. E assim aproveitam todos os seus benefícios sem perceberem que estão numa aula.
Não há uma idade exacta para a pratica de ioga, basta querer. Por isso se tens falta de concentração, faz ioga que os professores já não vão poder reclamar da tua falta de concentração.

Terça-feira, Fevereiro 10

RTP2 uma televisão a ter em conta





Em Portugal, quem não tem tv cabo ou meo, tem uma escolha muito reduzida a nível de entretenimento. Entre a TVI e a SIC, qual a pior e mesmo a RTP1 está a transitar para o lado negro da força, mas existe um canal que mantém uma réstia de esperança neste país, e não lhe prestamos o devido respeito: RTP2.
Quando acordamos de manhã podemos escolher entre noticiários, ou noticiários ou mais noticiários, mas não na RTP2. Na RTP2, pela manhã podemos soltar a nossa criança interior e reviver os nossos cartoons preferidos, e ao contrário dos outros canais em sinal aberto, a dois dá-nos a conhecer programas infantis de todo o mundo, e não só dos E.U.A.
Após o café da manhã e depois de ter ficado deprimido, de ter visto tanta desgraça nas notícias, que em média duram umas 3 horas, se não mais, posso ficar contente porque vão começar os programas da manhã, que em Portugal deixam muito a desejar. Não sei quem escolher, será que vejo as 3 horas de tertúlia da Fátima ou do Goucha? Na RTP2, preferem passar mais desenhos animados e programas juvenis e eu sinceramente prefiro ver as tertúlias da Ilha das Cores, do que o Jet7 português.
13 horas da tarde, cada canal está prestes a começar mais outro telejornal que irá durar entre 1 hora e 1 hora e meia. Como já ouvi o que tinham a dizer pela manhã, mantenho-me na dois onde os programas infantis estão a chegar a uma conclusão, e está prestes a começar a programação da tarde.
14 horas da tarde, e estão prestes a começar os conhecidos programas da tarde. A TVI tem a Júlia, e mais umas três horas de tertúlia. A SIC põe no nosso ecrã o senhor Nuno Graciano e a astróloga virada apresentadora Maya, e com, acho que já adivinharam, mais uma tertúlia de três horas. A RTP2 transmite Sociedade Civil, um programa que ao contrário dos outros só dura uma hora, e debate temas que têm importância na nossa sociedade.
Enquanto os outros programas ainda vão a meio, a RTP2 dedica-se a programas de carácter religioso.
São 20:30h, enquanto a terceira ronda de telejornais vai a meio, a RTP2 transmite uma sit-com americana e, após isso, um documentário. Finalmente, às 22:00h começa o único telejornal da RTP2, que, ao contrário dos outros, diz, em apenas 30min, tudo o que os outros dizem em duas horas, e ainda arranja espaço para o cartaz cultural. Depois do Jornal, enquanto os outros canais vão na sua quarto ou quinta novela, a RTP2 transmite séries de renome internacional a horário nobre!
Resumindo e concluindo, na minha opinião a RTP2 é um dos melhores canais portugueses, e não recebe o respeito que merece. A RTP2 transmite uma programação diversificada, que apela a todos os gostos, por isso, portugueses saiam da rotina e entrem na RTP2, pois só não vê quem não vê.

O.J.Batista

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Sexta-feira, Janeiro 16

Querido diário

Quem sabe não seguimos este caminho, talvez, quando os resultados dos alunos contarem para a progressão da carreira. De qualquer maneira lá vai uma caricatura com alguma piada, retirada da inesgotável net:

Querido diário:

29 de Junho de 2009
paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pa baixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010
passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd gente se balda...

29 de Junho de 2011
Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disseme q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013
Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014
Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprender-mos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceramme de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015
Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016
Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017
Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019
Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021
Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaramsse. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023
Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023
Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029
O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.

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Terça-feira, Dezembro 16

A Crise da Minha Geração

"A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou, já se cansou, desapareceu
ou então casou, ou então mudou, ou então morreu, já se acabou"
J.P.Simões



Quando éramos pequenos houve uma revolução no nosso país. Durou pouco tempo. Felizmente, morreu pouca gente e nós continuámos a brincar na rua. Durante algum tempo fomos tendo quatro meses de férias e sem horas para regressar a casa. Crescemos assim com televisões a preto e branco, telefone fixo, bonecos de plasticina, séries de tv memoráveis (quem se esquece "Reviver o Passado em Brideshead"?) e salas de cinema sempre cheias e barulhentas. O tempo era de liberdade e por isso, aqueles que quiseram e puderam, inventaram grupos de música "panque-roque", exposições colectivas de "pintores que pintavam", amadores de teatro "alternativo", e sessões de cinema de autor para "intelectuais". O país estava, naquela altura como hoje em dia, em crise.
Entretanto, fomos crescendo e hoje temos computadores, televisões a cores, jogos de computadores e Internet. Cumprimos um desígnio: somos quase todos "doutores". Geração mil euros, às vezes nem isso. Por outro lado, instalou-se e disseminou-se a heroína, o compadrio, a sida, as cidades de betão, o "telelixo" e a "absolutização social do futebol". Para além de tudo isso, continuamos em crise.
A minha geração, muito embora esta seja uma entidade abstracta, olha agora em volta e...cansa-se. E, cansa-se, sobretudo de duas coisas: da vida e do ecrã. A minha geração sabe que a democracia não passa de um conceito abstracto, a sociedade um grupo de adeptos de futebol, e, por isso, continua a viver mas já sem grandes utopias, sonhos, ou mesmo projectos. Os mais cínicos dizem que minha geração possui muitos créditos mas pouca esperança no futuro, pois parece largá-la a todo o instante nas auto-estradas reais e, agora, também virtuais. A minha geração está em crise. A minha geração sabe que o poder corrompe e só neste momento, em que o barco parece estar a afundar-se, começa a chegar ao poder. A minha geração nunca quis o poder. A minha geração nunca se reparou do pirolito, das botas de cano e das sandes de marmelada. No entanto, agora é tarde para recuperar. A minha geração tem uma vantagem em relação à geração que vem e à geração que passou: não se envergonha de gostar das pessoas! A minha geração teve várias crises concentradas numa só – eis a crise da minha geração!

Fernando Nunes (*)


(próximo texto: um disco da minha geração; as fotografias são do autor)







(*) – Fernando Nunes é professor do grupo de Filosofia na Escola Sec. C/ 3ºCEB Gil Eanes (Lagos)


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Sexta-feira, Dezembro 5

Quando se nasce muito depois

Se há algo de que me envergonhe indiscretamente, e claramente o afirmo, é pertencer a esta geração tão dolorosamente pré-fabricada. Não duvido que desde há décadas haja sempre quem ouça música que, pessoalmente e sofrendo de melomania crónica, seja mazinha, mas estamos a atingir o auge da decadência. Falar de música é, com certeza, muito relativo. Costumo até, ao fazer qualquer comentário acerca de fenómenos do género Britney, ser alvejada com o cliché desconcertante “Os gostos não se discutem!”

Muito bem, concordo, mas há que ter a consciência de que música não é tudo o que se ouve, música não é aquilo instantâneo, do género pôr no microondas juntamente com uma gaja muito boa, uma letra daquelas que falem no namorado que foi embora e nos meus novos ténis Nike e… Plim! Está feito! Sim, para a minha geração a música baseia-se no mais convencional, no mais fácil possível! Alimentam-se pela rádio, queimam a vista admirando a desgraça que é a MTV e, ainda mais irónico, passado uns meses de sair aquele êxito giríssimo daquela banda giríssima com aqueles giríssimos rapazes, já ninguém se lembra. E aí, meus amigos, é que está a diferença entre a música que provoca o vertiginoso movimento impetuoso dos humores e o ruído industrial que esta sociedade impõe. Porque se disser a alguém da minha idade (tirando uma minoria, que existe, felizmente!) que a minha banda preferida são os Pink Floyd, ou Emerson, Lake and Palmer, ou Joy Division, esse alguém há-de olhar para mim sem que faça a mínima ideia se falo de grupos musicais ou marcas de champô. E se lhe der a ouvir alguma dessas bandas, há-de fazer uma careta, rir-se e dizer “Isso é música para velhos!”

Eia! Peço desculpa, jovem, se não suporto a lavagem cerebral a que foste submetido, peço desculpa se não tenho a capacidade de apreciar essa indústria doentia a que chamas música, peço desculpa se nada disso faz sentido para mim… Fico então a pensar que realmente o desajuste é meu, sou eu a anormal, obviamente, nasci umas cinco décadas depois do que deveria…

Isabelle Coelho

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Sábado, Novembro 29

Observar aves junto ao Arade

Quem vive na cidade de Silves já se habituou a dar um pequeno passeio no novo parque da cidade. Não gosto de correr – cansa e faz-me transpirar – prefiro caminhar – não há melhor desporto – muito calmamente, apreciando o fim do dia e os tons do céu e do rio, às vezes a lua nasce logo ao fim da tarde enriquecendo o cenário. Anda-se, conversa-se com quem nos acompanha. Não pode haver pressas. É preciso aproveitar a sensação de calma que o rio nos transmite. Costumo aproveitar para observar algumas aves junto ao Rio Arade...
- Ornitologia é a ciência que estuda as aves.
- O ornitólogo amador dedica-se à observação de aves de forma amadora.
- Birdwatching é a actividade, com muitos adeptos em Inglaterra e Estados Unidos, que consiste na observação de aves.

Algumas espécies de aves que se observam, frequentemente, junto ao Arade:
Guincho (Larus ridibundos)
Garça-real (Ardea cinérea)
Garça-branca (Egretta garzetta)
Pernilongo (Himantopus himantopus)
Pilrito-comum (Calidris alpina)
Alvéola-branca (Motacilla alba alba)
Pardal-comum (Passer domesticus)
Galinha d’água (Gallinula chloropus)

Note-se que estas são aves que se observam diariamente. Há dias em que se tem mais sorte e se pode observar outras aves como o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo).

Seguindo em direcção ao hipermercado Modelo – atenção ao ninho de cegonhas-brancas (Ciconia ciconia) – chegamos a um terreno onde, às vezes, se vêem cavalos sempre acompanhados por garças-boieiras (Bubulcus ibis) e onde também já observei abibes (Vanellus vanellus) o que dá ainda mais gozo por se tratar de uma observação menos comum e por ser uma ave bonita.

Também é enriquecedor conhecer as características das aves. É curioso observar que os guinchos durante o Inverno têm a cabeça branca com apenas uma pinta preta e, na Primavera, época do acasalamento, ficam com a cabeça totalmente preta para, assim, se tornarem mais vistosos.

A observação de aves é grátis, não paga imposto e também não prejudica o ambiente. É pois, uma excelente actividade para os fins-de-semana: deve-se simplesmente, ter um bom Guia de Aves, um bloco de notas e binóculos.

Guia de Aves – é um guia que permite identificar a ave que se observa.
Bloco de notas – pequeno bloco onde se aponta as observações feitas para que fiquem devidamente registadas.
Binóculos – normalmente uns binóculos 50x10 de uma boa marca são apropriados, mas é sempre bom fazermos um estudo de diferentes modelos para que se escolha o que mais se adapta ao nosso gosto.
Vestuário e calçado apropriados à caminhada.

O Algarve é uma excelente região para esta actividade. Alguns dos locais de eleição são:
- Lagoa dos Salgados: na costa entre Armação de Pêra e Albufeira poderá observar esta rica zona húmida, protegida do mar pelas dunas. Assista à alimentação dos alfaiates, dos flamingos cor-de-rosa, das galinhas de água e de um ou outro caimão. Um local fantástico para observar aves.
- Ponta de Sagres: local para observar aves migratórias nos meses de Setembro e Outubro.
- Ludo, próximo de Faro: outro interessante local para observações.

Bons passeios. Boas observações. Bom fim de semana.

+ info:
Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves: http://www.spea.pt/
Equipamento: http://static.publico.clix.pt/grifosnaweb/obsAves.htm
Guias de campo Fapas: http://www.fapas.pt/novapag/index.php?section=6


-> As imagens desta crónica, com excepção da fotografia da cidade de Silves, foram retiradas da Internet.

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Terça-feira, Novembro 18

Árvores ou Caniches? Descubra as Diferenças…



Imagens retiradas
da internet

Descobriu? Não há tantas assim… dois seres vivos devidamente moldados para deleitar os gostos estilísticos do ser humano! Não é de poodles que este artigo pretende falar mas sim das oliveiras que “embelezam” uma das avenidas da nossa cidade. Silves adoptou a moda das oliveiras-caniche. Sem pretender discutir o gosto de cada um, pois certamente haverá os que apreciam o estilo “poodlesco” das referidas oliveiras, pretende-se fazer uma reflexão acerca da utilidade que tão “graciosas” árvores desempenham em meio urbano.
Dadas as alterações e influências negativas que a intensificação da construção provoca no clima urbano, uma das importantes funções da vegetação consiste no controle do microclima, contribuindo para o tornar mais ameno, através das suas propriedades de termoregulação, controlo da humidade, controlo das radiações solares, absorção de CO2 (dióxido de carbono) e aumento do teor em O2 (oxigénio), protecção contra o vento, contra a chuva e granizo e protecção contra a erosão. Os elementos vegetais também são úteis na separação física do trânsito automóvel da circulação de peões, filtram os gases tóxicos produzidos pelos automóveis, absorvem parte do ruído provocado e reduzem o encandeamento. Têm um papel importante na ligação dos vários espaços diferenciados entre si e na amenização de ambientes, pelo contraste entre a suavidade do material vivo inerente à vegetação e o carácter inerte e rígido dos pavimentos e outras superfícies construídas.
Desempenham ainda
funções culturais, de integração, de enquadramento, didácticas, de suporte de uma rede contínua de percursos para peões, de jogo, lazer e recreio. O interesse cultural do espaço verde urbano pode sintetizar-se na possibilidade de incentivar as pessoas à apreensão e vivência dos objectos e dos conjuntos em que se organizam.
As espécies vegetais, de diferentes formas, cores e texturas, constituem elementos plásticos com os quais se pode aumentar o interesse estético dos espaços urbanos sem necessitarem de ser “poodlizadas”. A observação e contemplação da vegetação pela população urbana possibilitam a percepção da sequência do ritmo das estações, e de outros ciclos biológicos, o conhecimento da fauna e flora espontânea e cultivada, o conhecimento dos fenómenos e equilíbrios físicos e biológicos.
Não obstante o reconhecimento das funções essenciais associadas à presença dos espaços verdes, a sua implementação encontra-se sujeita a múltiplas ameaças, entre as quais se destacam a excessiva densificação da construção urbana, a ausência de um processo de planeamento adequado, ou o desrespeito com que, muitas vezes, se tratam os seres vegetais… só porque não falam, só porque não choram, só porque tantas vezes não são entendidos pelo ser humano que a molda.
Cada ser humano tem necessidade de uma quantidade média de oxigénio igual à que pode ser fornecida por uma superfície foliar de 150 m2. Tendo por base esta superfície, o valor global considerado desejável para a estrutura verde urbana é de 40 m2/habitante. Esta é uma relação que não existe na cidade de Silves, como não existirá em muitos dos aglomerados urbanos portugueses. A posição reinante perante esta realidade é uma de duas: ou ignoramos a árvore ou tratamo-las como se de uma espécie de esculturas vivas se tratassem.
Imaginemos que alguém, munido de uma serra eléctrica, decide que somo excessivamente altos e nos corta as pernas, esquecendo que precisamos delas para andar. É certo que, quando as árvores atingem portes que impeçam a circulação ou ponham em causa a segurança de peões ou edifícios, a poda torna-se fundamental, selectiva e cirúrgica, entenda-se. Esta operação deve ser de manutenção e não de destruição. A poda severa reduz drasticamente a área foliar, diminuindo a capacidade da árvore em recuperar o porte vegetativo e tornando-a mais vulnerável a doenças.
Chegará o dia em que o homem, o mais racional e inteligente dos seres vivos, aprenderá a tratar com respeito a natureza que o rodeia? Chegará o dia em que estaremos aptos a deixar a natureza desempenhar, livremente, as funções que contribuem para o nosso próprio bem-estar? Ou continuaremos a encarar, para sempre, os seres vivos que nos rodeiam como objectos artísticos, prontos a serem moldados para agradar aos nossos sentidos?

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